Júlio Magalhães

“Weblog” destinado à Tecnologia Educativa

Terça-feira, Maio 29, 2007

“Mirando” o Challenge 07

Este Challenges 07, o primeiro em que participo (como mero espectador), veio reforçar, o que desde o início do meu mestrado, alguns professores tentam apregoar: reflectir acerca do estado da educação e o modo como o uso das tecnologias informáticas estão a ser aferidas na nossa escola. Confesso: o modo como vejo a educação neste país, hoje, é diferente (e para melhor, acho!) do modo como a via antes de ter iniciado o mestrado. O meu obrigado.

Início os meus comentários acerca do evento, dando os parabéns aos organizadores, não tanto pela (des)organização, mas sim pela escolha dos temas e pelos convidados aqui presentes.

Não passou, certamente, despercebida a intervenção de Marco Silva que veio debater “A docência presencial e on-line e o desafio comunicacional da cibercultura”. A sua intervenção foi bastante rica, pois permitiu-nos relembrar, citando na sua apresentação, alguns autores de renome na área da educação que criticam/criticaram a “Pedagogia da Transmissão” como Paulo Freire (“Ensinar não é transmitir conhecimento”) ou como Pierre Lévy (“Escola que há 5000 anos se baseia no falar-ditar do mestre”) ou ainda como Barbero (“Professores só sabem relacionar na transmissão linear separando emissão de recepção (…) permitindo que aumente o hiato entre a experiência cultural dos que falam e aquela dos que aprendem”).

Ainda sobre Marco Silva, gostaria de aqui focar uma das suas obras, bastante interessante, diga-se, “A sala de aula interactiva, 2006, 4ª edição” que nos permite reflectir acerca da interactividade e como usá-la numa sala de aula, mesmo para os fundamentalista do tradicionalismo, como refere o autor na obra: “inicío esta reflexão convidando (aos críticos da interactividade) ao diálogo todos os que pensam assim. (…) Procurarei mostrar-lhes que não estão de todo equivocados…, convido ao pensamento que não simplifica porque está aberto à multiplicidade de pontos de vista.” Marco Silva (2006, pg.9)

Interessante, foi também a intervenção Adriana Gewerc da Universidade de Compostela. A sua afirmação relativa a um dos maiores problemas do ensino, a formação dos professores, dá um pouco que pensar e torna-se importante reconhecer a sua verdade: “… processo de formação do professorado é um acto inacabado.”

Falou-nos de um assunto do qual estamos certos da sua natureza mas que nunca é demais falar, é preciso uma “modificação de atitudes, comportamentos”, não podemos nós, professores, continuar com este sistema de ensino que se encontra esgotado, mais que esgotado, o ensino “não é só um processo de transmissão de conhecimento”. Porque não (começar a) usarmos estas novas ferramentas informáticas, como por exemplo os blogues educativos e os e-portefólios (entre outras) que “ajudam a sintetizar o processo, que complementam a aprendizagem…”?

Não posso terminar sem focar a intervenção de Fernando Costa – Universidade de Lisboa. Este foi, sem dúvida, tal como ele o afirmou, o mais polémico.

Quem não gostou das suas histórias?! E da semântica que cada uma acarretava? Em particular, a sua primeira história que nos apresentou, acerca do seu pequeno neto, que de muitas coisas que o rodeava se interessou pelo computador, ou melhor, pelo manuseamento do rato. Bastante interessante pensar que os nossos alunos, cheios de vivências e interesses variados e relacionados com a tecnologia sejam obrigados a ter aulas meramente teóricas, arredados da tecnologia que já faz parte da sua natureza. E porquê? Recordam-se de o Fernando Costa ter apontado o dedo aos professores? Não terá razão? A aquela afirmação de que as “tecnologias são muito mal usadas na nossa escola”? Tentou “aligeirar” estas questões, alargando ao plano europeu e dizendo que algumas das suas afirmações eram meras constatações e não estudos científicos. Mas estará assim tão longe da verdade?!

Havia lugar a tantas mais questões mas fico-me agora por aqui. No entanto, não posso deixar de criticar os moderadores que estiveram nas sessões concorrentes por usarem dualidades de critérios. Deixaram transparecer que “uns eram filhos e os outros enteados”. Para uns, o tempo foi de 10 ou 15 minutos e caso não o fizessem quase que os interrompiam à “força”, e para outros, relembro o caso que na minha opinião foi o mais exagerado, o caso do Eduardo Luís Cardoso da Universidade Católica que durou cerca de 25 minutos. E a sessão da tech-x-pert, não teria direito a mais uns míseros minutos para além dos seus 12?

posted by Júlio Magalhães at 3:14 pm  

Quinta-feira, Maio 10, 2007

EaD: algumas características

Para Anthony Kaye e Greville Rumble a Educação a Distância apresenta as seguintes características:

  • Atende uma população estudantil dispersa geograficamente e, em particular, aquela que se encontra em zonas periféricas, que não dispõem das redes das instituições convencionais;
  • Administra mecanismos de comunicação múltipla, que permitem enriquecer os recursos de aprendizagem e eliminar a dependência do ensino face a face;
  • Favorece a possibilidade de melhorar a qualidade da instrução ao atribuir a elaboração dos materiais didácticos aos melhores especialistas;
  • Estabelece a possibilidade de personalizar o processo de aprendizagem, para garantir uma sequência académica que responda ao ritmo do rendimento do aluno;
  • Promove a formação de habilidades para o trabalho independente e para um esforço auto-responsável;
  • Formaliza vias de comunicação bidireccionais e frequentes relações de mediação dinâmica e inovadora;
  • Garante a permanência do aluno em seu meio cultural e natural com o que se evitam os êxodos que incidem no desenvolvimento regional;
  • Alcança níveis de custos decrescentes, já que, depois de um forte peso financeiro inicial, se produzem coberturas de ampla margem de expansão;
  • Realiza esforços que permitem combinar a centralização da produção com a descentralização do processo de aprendizagem;
  • Precisa de uma modalidade para actuar com eficácia e eficiência na atenção de necessidades conjunturais da sociedade, sem os desajustes gerados pela separação dos utilizadores de seus campos de actuação.
posted by Júlio Magalhães at 11:51 am  

Quarta-feira, Maio 9, 2007

EaD: vantagens e desvantagens

De acordo com a maioria dos defensores da EaD (Gutierres e Prieto, 1994; Medeiros, 1999; Preti, 1996), as vantagens da modalidade, são, resumidamente, as seguintes:

  • massificação espacial e temporal;
  • custo reduzido por estudante;
  • população escolar mais diversificada;
  • individualização da aprendizagem;
  • quantidade sem diminuição da qualidade;
  • autonomia no estudo.

Das vantagens acima listadas é possível inferir que a EaD democratiza o acesso à Educação, atendendo a alunos dispersos geograficamente e residentes em locais onde não haja instituições convencionais de ensino. Propicia uma aprendizagem autónoma e ligada à experiência dos alunos, que não precisam se afastar do seu local de trabalho. Promove um ensino inovador e de qualidade, garantindo o acompanhamento dos professores, para tirar dúvidas, incentivar e avaliar os alunos. Incentiva a Educação Permanente, permitindo a actualização e o aperfeiçoamento profissional daqueles que querem aprender mais. Permite que o aluno seja realmente activo, responsável pela sua aprendizagem e, principalmente, aprenda a aprender.

Os mesmos autores alertam para os possíveis riscos na adopção dessa modalidade educacional:

  • ensino industrializado;
  • ensino consumista;
  • ensino institucionalizado;
  • ensino autoritário;
  • ensino massificante.

Além de romper o paradigma da tutela do professor, que muitas vezes gera insegurança no aprendiz, a EaD exige equipas especializadas na preparação, confecção e distribuição de material e o uso de uma nova linguagem na relação professor/aluno, agora mediada pelo material distribuído. Tais efeitos podem ser minimizados através do planeamento detalhado na realidade do aprendiz.

posted by Júlio Magalhães at 1:53 pm  

Terça-feira, Março 27, 2007

Boas-Vindas

Bem-vindo ao meu blogue na “tech-x-pert”!

Blogue criado no âmbito da disciplina de “Ensino a Distância“  do mestrado em Educação - Tecnologia Educativa da UM.

posted by Júlio Magalhães at 12:17 am  

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