“Mirando” o Challenge 07
Este Challenges 07, o primeiro em que participo (como mero espectador), veio reforçar, o que desde o início do meu mestrado, alguns professores tentam apregoar: reflectir acerca do estado da educação e o modo como o uso das tecnologias informáticas estão a ser aferidas na nossa escola. Confesso: o modo como vejo a educação neste país, hoje, é diferente (e para melhor, acho!) do modo como a via antes de ter iniciado o mestrado. O meu obrigado.
Início os meus comentários acerca do evento, dando os parabéns aos organizadores, não tanto pela (des)organização, mas sim pela escolha dos temas e pelos convidados aqui presentes.
Não passou, certamente, despercebida a intervenção de Marco Silva que veio debater “A docência presencial e on-line e o desafio comunicacional da cibercultura”. A sua intervenção foi bastante rica, pois permitiu-nos relembrar, citando na sua apresentação, alguns autores de renome na área da educação que criticam/criticaram a “Pedagogia da Transmissão” como Paulo Freire (“Ensinar não é transmitir conhecimento”) ou como Pierre Lévy (“Escola que há 5000 anos se baseia no falar-ditar do mestre”) ou ainda como Barbero (“Professores só sabem relacionar na transmissão linear separando emissão de recepção (…) permitindo que aumente o hiato entre a experiência cultural dos que falam e aquela dos que aprendem”).
Ainda sobre Marco Silva, gostaria de aqui focar uma das suas obras, bastante interessante, diga-se, “A sala de aula interactiva, 2006, 4ª edição” que nos permite reflectir acerca da interactividade e como usá-la numa sala de aula, mesmo para os fundamentalista do tradicionalismo, como refere o autor na obra: “inicío esta reflexão convidando (aos críticos da interactividade) ao diálogo todos os que pensam assim. (…) Procurarei mostrar-lhes que não estão de todo equivocados…, convido ao pensamento que não simplifica porque está aberto à multiplicidade de pontos de vista.” Marco Silva (2006, pg.9)
Interessante, foi também a intervenção Adriana Gewerc da Universidade de Compostela. A sua afirmação relativa a um dos maiores problemas do ensino, a formação dos professores, dá um pouco que pensar e torna-se importante reconhecer a sua verdade: “… processo de formação do professorado é um acto inacabado.”
Falou-nos de um assunto do qual estamos certos da sua natureza mas que nunca é demais falar, é preciso uma “modificação de atitudes, comportamentos”, não podemos nós, professores, continuar com este sistema de ensino que se encontra esgotado, mais que esgotado, o ensino “não é só um processo de transmissão de conhecimento”. Porque não (começar a) usarmos estas novas ferramentas informáticas, como por exemplo os blogues educativos e os e-portefólios (entre outras) que “ajudam a sintetizar o processo, que complementam a aprendizagem…”?
Não posso terminar sem focar a intervenção de Fernando Costa – Universidade de Lisboa. Este foi, sem dúvida, tal como ele o afirmou, o mais polémico.
Quem não gostou das suas histórias?! E da semântica que cada uma acarretava? Em particular, a sua primeira história que nos apresentou, acerca do seu pequeno neto, que de muitas coisas que o rodeava se interessou pelo computador, ou melhor, pelo manuseamento do rato. Bastante interessante pensar que os nossos alunos, cheios de vivências e interesses variados e relacionados com a tecnologia sejam obrigados a ter aulas meramente teóricas, arredados da tecnologia que já faz parte da sua natureza. E porquê? Recordam-se de o Fernando Costa ter apontado o dedo aos professores? Não terá razão? A aquela afirmação de que as “tecnologias são muito mal usadas na nossa escola”? Tentou “aligeirar” estas questões, alargando ao plano europeu e dizendo que algumas das suas afirmações eram meras constatações e não estudos científicos. Mas estará assim tão longe da verdade?!
Havia lugar a tantas mais questões mas fico-me agora por aqui. No entanto, não posso deixar de criticar os moderadores que estiveram nas sessões concorrentes por usarem dualidades de critérios. Deixaram transparecer que “uns eram filhos e os outros enteados”. Para uns, o tempo foi de 10 ou 15 minutos e caso não o fizessem quase que os interrompiam à “força”, e para outros, relembro o caso que na minha opinião foi o mais exagerado, o caso do Eduardo Luís Cardoso da Universidade Católica que durou cerca de 25 minutos. E a sessão da tech-x-pert, não teria direito a mais uns míseros minutos para além dos seus 12?